450... SUPLÍCIOS...
Descem do céu as luzes perdidas que assentam sobre a ridigez do viaduto, por onde os carros cruzam como feras e os homens alentam suas forças com um mar de escarros.São sete horas, e nas ruínas de uma igreja prenuncia a noite o ribombar do sino, no seu troar um murmúrio de inveja transparece em todos ao montês peregrino. A fornalha de homens borbulha e inflama pelas ruas banhadas de sangue e suor; na turba, nem cavalheiro nem dama, mas um lascivo frenesi de estertor. São Paulo! Terrível serpente, teu veneno percorre as veias de teus próprios filhos! que vergam, arrastam-se, e ao distante ameno do céu, entoam gemidos como semi-vivos velhos.
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