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Metrópole
Onde o cinza habita e cobre a cidade como um lençol de poeira. À noite, o horizonte de luzes mente aos olhos à distância. O concreto confunde-se com o abstrato das pessoas impessoais, alteradas pelo ritmo dos motores, dos papéis, do homem capital. Onde o nada existe e tem forma de angústia, melancolia e parece inóspito sem perder o fascínio da arte. O vazio habitado da arte. As paredes que dividem vidas diversas e transformam em fronteiras os vizinhos desconhecidos. Volto-me a paisagem como quem volta para casa e não a encontra mais. Ela se perde e fica nos grand corredores e línguas de asfalto que se estendem pelas esquinas da vida estressada. A paisagem vira pessoa que vira fronteira que vira parede que vira desconhecido. Ela se perde, como numa cidade fantasma habitada por desconhecidos confiados na arte e na imponência de suas estruturas. Mas em tudo há vida. Entre as vidraças e grandeza de Golias e as chapas de zinco de David há gente e pedras disponíveis a pontarias certeiras. E eles as usam. À margem, o homem e os barracos e os farrapos e as vidas jogadas a sorte. Gente igual e diferente que vive numa cidade de vários mundos, um shopping de culturas. Nem tudo é belo na Metrópole, nem tudo é caos na Metrópole, nem tudo é tudo na Metrópole, nem eu nem você. Somos todos mais um na Metrópole.
Ricardo Cardoso
(De Salvador; Sergipano residente em Salvador há 01 ano e admirador a distância da Metropole Paulista.)
postado em 14/2/06 |
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