A Garganta da Serpente
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Fazendo justiça a São Paulo

Outros poetas choram saudades
Pois que vieram d’outras terras
Lembrando de povos e de cidades
E desprezando a ti que os encerra.

Esqueceram-se que tu os acolheste
E os alimentaste nas suas desditas.
Mas que tipos de órfãos são estes
Que renegam a madrasta bendita?

Tu és feia nesse caos e confusão?
Mas quem confundiu tuas linhas?
Abriste-te a todos sem restrição
E se alastraram como ervas daninhas.

Tu és dura em aparente frieza?
Mas quem, enfim, te brutalizou?
Não teus filhos, com toda certeza,
Mas a bagagem de quem te buscou.

Teu ar e tua água são impuros?
Mas quem foi que os poluiu?
Os que vivem entre teus muros
E vindos de todo o Brasil.

Eles te exploram e consomem,
Depois reclamam de tua aridez.
Cospem no prato em que comem
E clamam por mais a cada vez.

Minha São Paulo. Minha cidade.
Teus problemas são muito profundos
Porque na terra da mediocridade
Ousaste ser do primeiro mundo.

Essa gente que chora é injusta
Quando ousa assacar contra ti.
Meu amor por ti nada custa
Pois em teu seio é que nasci.

Amo esta terra. Amo demais!
E encho a boca enquanto falo.
Os que te odeiam? Tanto faz!
Só contam os que amam São Paulo.



Obed de Faria Junior

(Paulistano, com muito orgulho!!!)
postado em 29/11/04
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