A Garganta da Serpente
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SP prosa

Hoje resolvi andar pelo centro
Não sei o que me deu
Acho que estava sentindo falta de ver movimento

Na praça da Sé, entrei na catedral
Achei tudo lá bonito
Foi impressionante o astral

Já na rua, vi vários meninos com o nariz escorrendo
Também alguns jovens sentados em bancos
Olhando para o nada
Com corpos drogados minguando
Esperando o tempo passar

Na rua Direita, um grupo estava ali parado
Isso é o que eles chamam de movimento
Estavam estáticos, sem nenhuma expressão
Meu Deus, chamam isso de greve dos bancários

Vi muitos olhos bonitos, olhos verdes
Olhos castanhos /
Azuis e também vermelhos

Homens e mulheres placas derretendo
no calor do sol de trinta e quatro graus
Oferecendo vagas de diversos empregos
Por ironia não conseguem nada melhor pra eles

Mulheres bem arrumadas
Gente simples muito apressada
Uma mulher um pouco mais à frente
acaba de ser atropelada

Executivos com velhas pastas na mão
Esbarram em outras pessoas
por causa da indecisão

Todo mundo querendo a sombra das marquises

É época de eleição, por todos cantos
Bandeiras de candidatos de partidos tremulam
desempregados forçam a entrega de santinhos
Mas quase todo mundo nega a mão

Vi muita celulite balançando
Barrigas que não deveriam estar de fora
Decotes chamando à atenção para o silicone
Piscares de convite para um prazer cobrado

E o churrasco grego custa setenta centavos

Policia passeando
Alguns atentos,
Olham para todos lados

Camelôs espertos com mercadoria na mão
Se esforçando pra vender, com medo
da fiscalização aparecer

Na porta das lojas, vendedores parecem não gostar
Pessoas entram nas lojas
E saem sem nada comprar

Faz muito tempo que não ando por aqui
Muita coisa mudou, até alguns cenários
Não vi nenhum trombadinha
Acho que isso agora é coisa do passado

Minha perna aleijada começou a doer
O calor esta mesmo forte, estou com sede
Vou entrar nessa galeria, aí tem ar condicionado
... Chegou a hora de refrescar

Agora passo na frente do Teatro municipal
Acho essa arquitetura muito bonita
Nunca entrei lá dentro,
aqui fica a vontade de entrar

Tem um candidato a não sei o que
Falando errado em auto falante
Garimpando votos / clamando atenção
Pras idéias que tem como propósito de sua intenção

Engraçado no Teatro municipal
O que rola agora
É... Carnaval dos Animais

Na praça da Republica
Ripes parecem contentes,
vejo muitos felizes
O movimento é freqüente
Pessoas apreciam suas obras, artesanatos e jóias

Acho que chegou a hora de voltar pra casa
O destino será metro Tucuruvi

Passo agora em frente ao Carandiru
Onde caíram muros, tombaram prédios
O importante é que não vejo mais,
Esse lugar com cara de inferno

Minha estação ta chegando / Parada Inglesa
Daqui a pouco estarei em casa
Cansado, porem contente

Hoje meu dia foi diferente
Vi quase de tudo,
Mais o mais importante
É que estive no meio de gente



Orlando Miranda

(Paulista que adora sua terra)
postado em 30/9/04
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