Faça seu jogo
Nas favelas sul-americanas Sintonizavam-se as imagens da CNN O World Trade Center desabava E o mundo mostrava o seu medo.O Pentágono perdia um dos vértices E a mãe da favela punha a boca do seu filho no peito murcho A cena estimulava o seu leite Estimulava a sua vontade de comentar o assunto nas vielas. Quando houve o choque do avião com a segunda torre Os traficantes pararam a venda de coca Baixaram as armas e foram até a sala Para dar tapas na Maria diante da TV. A notícia secundária era o aumento do número de indigentes no país Que passara de 10 para 14% De pobre, o inferno está cheio e isso não dá audiência A torre desabou diante das câmeras para alegria geral dos que têm ódio. Iasser Arafat mais parecia um peru em véspera de Natal Falando com a voz trêmula que aquilo era um absurdo Nas ruas os palestinos esbanjavam felicidade desmentindo o seu velho líder. George Bush ou George Bull Shit? Enfim, aquele presidente de merda Prometia vingança ao mundo Bem longe da Casa Branca. O talibã dizia "não sei quem fui!" Fernando Henrique dizia "assim não dá!" Tony Blair se agarrou na saia de Margareth Slobodan Milosevic segurou nas grades e sorriu. Vidas inocentes, milhares delas, mais uma vez Foram obrigadas a pagar pelos erros dos líderes O egoísmo mata a gente, morena A obsessão mata gente. Ou reconhecemos a queda e não desanimamos Ou enxugamos o pranto, dizemos adeus e vamos embora Façam seus jogos, senhores Mas nunca arrisquem sem antes saber quem é o crupiê.
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